Menino Jesus de Praga

A história deste Pequeno Grande começa em um período de grande necessidade. No inicio do século XVII o Imperador da Alemanha, Fernando II, mandou construir um convento dos Padres Carmelitas na cidade de Praga para expressar sua gratidão a Nosso Senhor pela insigne vitória alcançada em uma batalha. A região passava por grandes necessidades devida as guerras. A situação na região era tão grave que até os padres no convento não tinham o que comer e muito menos recursos para ajudar aos necessitados. Porém vivia em Praga a princesa Policena Lobkowitz, que vendo que o convento passava por necessidades, presenteou-os com uma pequena estátua de cera que ela tinha recebido de presente de casamento por sua mãe. A imagem representava o Menino Deus de pé com a mão direita erguida em atitude de bênção. A mão esquerda segurava um globo dourado e a princesa tinha costurado a túnica e o manto. Ao dar a a estátua aos religiosos carmelitas, ela disse: “Meus padres, entrego-lhes o maior tesouro que possuo neste mundo. Prestem muitas honras a este Menino Jesus e nada lhes faltará.”

Os Carmelitas, muito agradecidos, receberam a estátua e colocaram-na no oratório interno do convento, passando a ser venerada, especialmente pelo Padre Cirilo, que mais tarde seria conhecido como o “Apóstolo do Divino Menino Jesus de Praga”.

 

Um pouco após que a imagem passou a ser venerada duas vezes por dia em momentos a parte e a profecia dita pela princesa tornou-se realidade e diversas graças passaram a ser realizadas e as necessidades do convento passaram a ser socorridas.

Porém este primeiro período de graças dura pouco, uma vez que acaba de eclodir a guerra dos trinta anos e a devoção ao Menino teve que ser cessada. Temendo por suas vidas os Padres do Convento resolvem que eles estariam mais seguros se transferissem para Munique. No dia 15 de Novembro de 1631 as tropas do Rei Gustavo Adolfo da Suécia invadem Praga e suas tropas tomam e saqueiam todas as igrejas e conventos da região. Alem do roubo de tudo que era precioso do mosteiro e da igreja os soldados luteranos zombam da imagem do santo menino e jogam-no para detrás do altar e ele fica lá esquecido por mais de 5 anos. Em 1637 no ano seguinte que Praga é reconquistada os Padres Carmelitas retornam para o convento. Agora mais do que nunca a miséria da região fora agravada e a ordem não tinham recursos para reconstruir o que fora destruído ou para a sua sobrevivência.

Em 1637, após sete anos de desolação, o Padre Cirilo retornou a Praga. A Boêmia, cercada de inimigos por todas os lados, corria o risco de sucumbir e, quem sabe, até de perder o dom inestimável da fé. Em meio a tais agruras, enquanto o Padre Guardião exortava aos religiosos para que insistissem junto a Deus para colocar fim a tantos males, o Padre Cirilo aproveita para falar-lhe da inesquecível imagem do Divino Menino. Obtém licença para buscá-la e a encontra, finalmente, entre os escombros detrás do altar. Limpou-a e a cobriu de beijos e lágrimas. Estando ainda intacto o rosto da imagem, ele a expôs no coro para que os religiosos a venerassem. Estes, confiantes em sua proteção, se ajoelharam diante do Divino Infante, implorando para que fosse seu refúgio, fortaleza e amparo em todos os sentidos. A partir do momento em que a imagem foi colocada em seu lugar de honra, o inimigo bateu em retirada e o convento foi reabastecido de tudo que os religiosos necessitavam.

Certo dia, o Padre Cirilo orava diante da imagem, quando ouviu claramente estas palavras: “Tende piedade de mim e eu terei piedade de Vós. Devolvei minhas mãos e eu vos devolverei a paz. Quanto mais me honrardes, tanto mais vos abençoarei”. A imagem ainda estava danificada devido a ação dos soldados e estava sem as mãos, detalhe que até então não tinha sido percebido pelo Padre Cirilo. Surpreso, o bom Padre correu imediatamente à cela do Padre Superior e lhe contou o fato, pedindo-lhe para mandar reparar a imagem. O Superior se negou a atendê-lo, alegando a extrema pobreza do convento. Porém mais tarde Padre Cirilo fora chamado por um moribundo, que humildemente deu 100 florins de esmola. Padre Cirilo levou o dinheiro ao Superior, convicto de que poderia usá-lo para consertar a imagem, porém o Superior achou que uma imagem nova seria mais apropriado e mandou comprar uma nova imagem ainda mais bela mas que não durou muito. No dia de sua inauguração um candelabro que estava bem preso a parede desabou destruindo a nova imagem. O Superior que ordenou a compra da nova imagem adoeceu e ficou impossibilitado de terminar o seu mandato.

Um novo Superior fora eleito e Padre Cirilo voltou a suplicar pelo conserto da imagem. Mais uma vez o pedido fora rejeitado alegando que não havia recursos suficientes. Logo após a rejeição Padre Cirilo fora recorrer a Nossa Senhora e misteriosamente logo após ao pedido ele fora chamado para a igreja onde uma senhora de aspecto venerável se aproxima e entrega uma esmola de valor considerável e logo após desaparece sem que ninguém tivesse visto ela entrar ou sair. De novo com a posse do dinheiro Padre Cirilo pede ao seu superior o conserto da imagem e de novo o pedido é negado.

E de novo calamidades recaíram sobre o convento. Os religiosos não podiam pagar as despesas de uma propriedade improdutiva que haviam arrendado. Os rebanhos morreram, a peste devastou a cidade. Muitos carmelitas, inclusive o Superior, foram açoitados. Todos recorreram ao Menino Jesus. O Superior se penitenciou e prometeu celebrar 10 missas diante da estátua e propagar seu culto. A situação melhorou consideravelmente, mas como a imagem continuava no mesmo estado, o Padre Cirilo não se cansava de se lamentar diante de seu protetor, quando ouviu de seus divinos lábios estas palavras: “Coloca-me na entrada da sacristia e encontrarás quem se compadeça de mim”.

E não surpreendentemente apareceu um desconhecido que notou o belo Menino desprovido de mãos e se ofereceu espontaneamente repô-las. A pessoa que repôs as mãos recebeu uma graça. Pouco após ele ganhou nos tribunais uma causa quase perdida, com a qual salvou sua honra e sua fortuna. Em 1642 o fluxo de devotos do milagroso Menino já era grande e os padres Carmelitas desejavam construir uma capela pública em um lugar indicado por Nossa Senhora ao Padre Cirilo. Porém, faltavam os recursos e, além do mais, tinham medo de iniciar esta nova construção num tempo em que os calvinistas estavam arrasando todas as igrejas. Contentaram-se em colocar a imagem na Capela exterior, sobre o altar-mor, até quando a princesa Lobkowitz mandou construir um novo santuário, inaugurado em 1644, no dia da festa do Santíssimo Nome de Jesus. Juntamente com o novo santuário o culto ao Santo Menino propagou-se rapidamente e as noticias sobre as graças passaram a se difundir. Passaram a vir pessoas de todas as partes para prostrar-se diante do milagroso Menino: pobres, ricos, enfermos, toda espécie de pessoas referiam-se a Ele como remédio para todas as suas tribulações.

Em 1655, o Conde Martinitz, Grão Marquês da Boêmia, brindou a imagem com uma preciosa coroa de ouro cravejada de pérolas e diamantes. O Reverendo D. José de Corte colocou-a no Menino em uma solene cerimônia de coroação. Diz-se que durante a Segunda Guerra Mundial diversas pessoas pediram ao Santo Menino que Praga fosse poupada dos canhões do Eixo, e que um dos suplicantes mais era o então prefeito da cidade. Apesar de Praga ter caído nas mãos do eixo a cidade fora poupada da fúria da artilharia alemã e permaneceu relativamente intacta durante o período da ocupação alemã e em sua retomada pelos aliados.

A devoção ao Menino Jesus de Praga é uma das maiores de todo o mundo. Ele está presente em diversos Mosteiros, Colégios, Escolas e nos corações de diversas famílias. Diversas paróquias possuem a estatua real e, nos locais em que o pequeno Grande é saudado as graças frutificam.